Um pouco de poesia
Ana Flávia, 16. Nascida na primavera, ainda não sabe se está mais para flor ou para espinho. Não aprendeu a pintar nem bordar, mas gosta de escrever e rabiscar sobre duas coisas que a movem: os sonhos e o amor.
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Já sentiram...
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Essa cidade parece-me cada vez mais sem graça, acho que é porque você se mudou. Veja, meu bem, as luzes dos postes agora na rua é uma acesa e uma não. A Lua também nunca mais ficou tão brilhante como quando a víamos do seu quintal. Já faz um tempo que você arrumou suas malas, que deixou o bilhete: “Talvez eu volte. Mas é certeza que não.” e usou mais das suas antíteses, usou mais das suas confusões para me confundir. Você não voltou, nem me disse como foi arrumar os móveis na nova casa, se você tem um vizinho que reclama tanto da sua guitarra como o antigo, ou se tem uma nova pessoa em meu lugar. Como é rir sem mim aí? Ecoa pelo vazio interior tanto quanto ecoa em mim o meu riso solitário? Depois de você, passou por aqui só o vento trazendo a poeira dos seus passos. Fui para você só um bom travesseiro numa noite que você não tinha nem teto. Fui, mas ainda queria tanto ser… — Ana Flávia Cézar
6 days ago with 2 notes
O texto está quase na folha, porém você engole-o. Até então você não havia parado para pensar nisso, mas não se escreve sem pensar. Escrever salva e também mata. Pode apagar ou reacender o que está escondido e já quase se empoeira sobre a carcaça do coração. Então, me diga, qual o risco dessas palavras?
6 days ago
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Medo que eu não ache nesses outros corpos a paz que encontrava em ti. Que ninguém entenda minhas reticências, que ninguém saiba lidar com minhas loucuras e manias e que mais ninguém reacorde minhas esperanças. Tu tens sido falta e ausência e tem, mais que isso, me feito eufemismo de mim mesma – logo eu, sempre tão hipérbole. Se eu pudesse te transformar em metáfora eu diria que eras as sinapses do meu coração, eras tu que ligava meus amores aos meus sonhos e fazia tudo parecer mais tocável. Ah, toque…saudade do teu. Não sei, vê se me liga dia desses para aquele café rápido quinta-feira. Só entre os nossos compromissos, entre nossa vida corrida com gente nova, festas novas, talvez até novas paixões, por que não? No entanto, de certa forma, meu coração te reconhece como casa, como aconchego e gosta vez ou outra de tornar ao teu calor. Talvez, se te sobrar tempo, me escreve; gostava dos teus versos. Se ainda sobrar tempo também cante comigo aquelas músicas que todo mundo conhece, mas ninguém gosta; e a gente gosta. Mas se não sobrar tempo, faltar paciência ou modo de chegar até mim – alguns abismos que cavamos tornam-se intransponíveis com o tempo – não sei, só dê um sorriso agora. Imaginá-lo-ei daqui e estaremos no nosso ritmo de novo, que seja por bobos segundos. — Ana Flávia Cézar
1 week ago with 3 notes
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Seus olhos embaçam-se ao despertar do sonho e você não pode me ver, mal consegue distinguir o que é real e o que é sua imaginação de garoto criando. Estou aqui entre suas muralhas, quase posso transpô-las e encontrar seu coração nesse castelo, mas você insiste, toda vez, em encolher a ponte antes de eu acabar de atravessá-la. Talvez porque nesse castelo já more outra rainha, que você sabe, não merece essa coroa – nem seu coração. Enquanto me mantenho aqui do seu lado de fora, você dá festas com uma única convidada dentro do peito. Aqui faz cada vez mais frio e já não sei mais se vale a pena. Quer dizer, há tantos outros príncipes com corações menos gélidos que o seu. Tantos outros precisando de uma princesa além do sonho. Mas não há castelo que eu mais ame e queira morar que o seu. Não há garoto que me domine e me tenha como você. Sua princesa ainda destruirá seu reino e você, mas não se preocupe eu estou aqui do lado de fora e lhe socorro, nos socorro antes de virarmos nada, porque, meu amor, nossa história é mais bonita junta. — Ana Flávia Cézar
1 week ago with 1 note
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Não quero que você seja lembrança. Não quero deixar-lhe num canto qualquer e usá-lo como escudo do mundo. Não quero que você seja só a minha forma de proteção porque tenho medo demais de ser só. Quero você atenuando meus medos porque está a mostrar-me que eles, de fato, não passam de bobagens. Quero você longe do baú de memórias porque seu lugar no meu coração já é grande demais que você não precisa de morar em nenhum outro canto. Quero mais sua voz cantando, quero mais seus braços me ensinando dançar, quero mais seus beijos me ensinando a amar. Quero mais você por aqui, entende? Mais, sempre mais. Minhas vontades passam e a maioria dos meus quereres também, mas esse, esse de te ter, não passa, amor. — Ana Flávia Cézar
1 week ago with 1 note
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Não sei se existe, exatamente, um lado bom em crescer. Quer dizer, poder gritar aos quatro cantos: “Agora vocês não mandam mais em mim, tenho 18 anos!” ou poder beber e dirigir, não parecem tão animadores quando a troca que se faz é deixar a casa e comida de mãe, esquecer sobre amar infinitamente até amanhã, sonhar mais do que propriamente realizar, ou ser o caos em pessoa. Gosto de mudar de ideia, de morrer de amor, de idolatrar cantores, de criar diálogos durante o banho. Gente grande faz essas coisas? Medo que essa troca de peles – de ser jovem e ser adulto – acabe trocando coisas que não devia feito meu amor pelo mundo, ainda que este não me agrade sempre. Tenho medo de crescer e de não crescer. Não sei se já quero alçar o voo. Não sei se minhas asas estão fortes o suficiente…Sempre ouço dizer que filho – que é ainda o que sou e amo ser – é criado para o mundo. E que mundo é este que vai me receber? Talvez meus sonhos não passem de bobagens e eu me torne algo contrário do que penso; e é o que mais acontece, certo? Crescer quando se tem cinco anos parece uma melhor ideia do que agora, onze – quase doze – anos mais tarde. Já não posso querer ser bailarina, nem passar a manhã vendo desenhos. Fui crescendo sem perceber que a cada ano ficava um pouco de mim pelo caminho e eu ganhava novas partes. Lembro-me, ainda, da minha versão menina no balanço, da minha ingenuidade com tudo que estaria pela frente, das bobagens ditas que hoje me fazem rir. Mas me orgulho do que fui e tenho, mesmo que entre tropeços e escorregões ao fundo do poço e de volta ao mundo (sabem, gosto de drama) me orgulhado do que sou. E ainda que eu não saiba crescer e o tempo insista em me arrastar pelos dias, a vida não é sobre ter certezas de quem você é, mas é ser você um pouco a cada dia. E fui. Sou. E talvez seja isso crescer: saber olhar para trás, reconhecer o presente e ver, logo ali, o futuro. — Ana Flávia Cézar
2 weeks ago with 9 notes
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Eu quero muito você, mas não posso querer-lhe. Quero imensamente seu toque, seus beijos, mas eles não me pertencem. Quero seus abraços que comigo poderão ser milhões, mas seus braços não me buscam, tampouco me encontram. Quero suas bochechas rosadas encostadas na minha, seus cabelos no meu ombro, sua voz ao pé do meu ouvido. Quero de você o que tenho a lhe dar: amor! E agora faço o que com tanto querer sem resposta? — Ana Flávia Cézar
2 weeks ago with 12 notes
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Sabe, amor, as coisas têm andando difíceis para mim. Dia desses eu estava vendo estrelas, agora já não tenho vontade de abrir os olhos, só dormir, dormir, porque a realidade está bruta demais. Perdi coisas que eu amava pelo caminho e me perdi um pouco. Em alguma dessas curvas ficou meu juízo e minha força, pois agora eu ando tão frágil, precisando de colo e tudo que faço é besteira. Queria salvar-me de ser dessas iguais e acabei no mesmo lugar comum. Só precisava de boas notícias, novos amores, mais abraços quentes…não sei, coisas que me alegrassem um pouco. Acontece que eu tô perdida e não sei que rumo tomar. Ah, amor, as coisas eram mais fáceis na infância. Que mania boba essa de complicar, você não concorda? Sintaticamente a lógica é você vir para mim, é eu ser mais graça e rir mais de graça…Amor, me diz, por que as coisas saem assim dos eixos? — Ana Flávia Cézar
2 weeks ago with 1 note
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- Já vou indo.
- Te assusto tanto assim? Quer dizer, você nunca fica até o final do filme.
- Quando as luzes acendem, de alguma forma, o sonho chega ao fim e eu não quero torna-lo real porque a realidade destrói as coisas mais belas.
- Não tem que ser assim, você sabe, ainda podemos ser felicidade após esses sábados.
- Não dá, cara. Já pensou se começamos a gostar? O amor estraga tudo, porque o amor complica tudo. Veja bem, agora as coisas são simples.
- E se já for tarde e o amor já tiver acontecido?
- Aí eu ficaria, portanto, onde estão as chaves?
- Sei que quando você vai embora ainda permanece no corredor por uns 5 minutos tentando entender qual o seu problema, ou o nosso problema.
- Não é verdade. Você não me conhece.
- Não? Então como eu saberia que seu pai nunca te deu um abraço, que se você fosse uma música seria “Sex on fire” do Kings of Leon, que você não sabe diferenciar suco com vodka de whisky? Eu te conheço e te am…
- Não, não diz.
- Você pode viver isso e ser vazia ao mesmo tempo, eu não. Te amo. Gritado, exagerado, abobadamente. AMO.
- Tudo bem, esqueça as chaves, hoje ficarei pros créditos do filme.
(…)
- Ah, e a propósito, se eu fosse um música seria “Use Somebody”. — Ana Flávia Cézar
2 weeks ago with 12 notes
nasalturasdoamor:
MARAVILHOSO aqui!! :)
OBRIGADA, em caps também :) hah
a-l-v-o-r-a-d-a:
Que encanto aqui!
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Eu sei, meu bem, que eu poderia ignorar esse sentimento que insiste em florescer aqui dentro. Parar de regar, de admirar e logo ele via que a terra era de areia e invés de grama tinha só pedra e cessava sua evolução. Eu sei disso, mas também sei que não consigo fazê-lo porque eu não controlo nada. Simplesmente sou barquinho no mar sendo levada pelo vai-e-vem do meu peito. Talvez seja amor na hora errada ou talvez seja a hora certa para eu ver que amor é outra coisa. Fico presa nessa teia de possibilidades com medo de ir devendo ficar ou de ficar tendo que ir…Medo de me atrasar para te amar e, ao mesmo tempo, chegar na estação antes do sentimento bater-lhe a porta. Ainda estou para decidir se sou confusa demais ou se são seus sinais que me deixam no caos. Aquele riso quis dizer o que? E aquele abraço mais longo noutro dia? Sem esquecer dos silêncios e sumiços. Quero decifrar-lhe mesmo com suas pistas tortas. Quero amar-lhe mesmo sem saber fazê-lo. Não estranhe esse amontoado de palavras perdidas sem rumo, está bem pior aqui dentro, mas é na bagunça que eu me acho. Só queria que você soubesse, benzinho, que da maneira certa ou errada eu estou aqui por ti e por nós…só faça-me companhia que o tempo ajeita se ficamos lado a lado ou se moramos um dentro do outro feito amor. Você fica? — Ana Flávia Cézar
3 weeks ago with 15 notes
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